PT
BaniBanani5+
Todas as histórias encantadas
Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração inicial

História 21 · Cooperação 5+

Bani e a Equipe do Moinho de Vento

≈ 8 min de leitura

No alto da colina havia um moinho antigo que bombeava água para o jardim. Normalmente suas quatro pás acenavam para quem passava como mãos gigantes. Naquela manhã estavam paradas e os pequenos canais tinham secado. “Eu conserto!” anunciou Bani. Empurrou uma pá: nada. Puxou a corda: o balde travou. Abriu o desenho: o vento dobrou o papel sobre sua cara. Dez minutos depois ele segurava uma chave, uma corda, o desenho e a própria cauda para que não prendesse em mais nada. O moinho rangeu de um jeito que parecia dizer: “Impressionante. Ainda não temos água.”

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 2

Engenheira Lontra subiu a colina com três vizinhos. Pega conseguia ver um parafuso perdido lá de cima. Toupeira entendia o que acontecia na base. Castor ouvia uma rachadura na madeira antes de os outros enxergarem. “E o que eu sei fazer?” perguntou Bani, de repente achando que todos os talentos úteis já tinham dono. Lontra o viu recolher ferramentas e passar uma lanterna para Toupeira. “Você percebe quem precisa de quê. Isso também é trabalho.” Bani se surpreendeu. Talvez ser importante numa equipe não significasse ser a pessoa que sabia fazer tudo.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 3

Nos primeiros minutos, a nova equipe soava pior que o moinho quebrado. “Corda!” gritava Pega. “Suporte!” chamava Toupeira de baixo. “Tábua!” dizia Castor. Bani tentou ouvir todo mundo e acabou escrevendo “corda-suporte-tábua?” no desenho. Então colocou um balde vazio no centro: só falava quem estivesse com ele. Pega descreveu um nó lá em cima, Toupeira um poste inclinado, Castor uma rachadura fina. Quando o balde chegou a Bani, ele disse: “Parece que não temos um problemão. Temos vários probleminhas esbarrando uns nos outros”. De repente, a imagem ficou mais clara.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 4

Dividiram o trabalho. Pega desembaraçou a corda, Toupeira reforçou o chão, Castor reparou a madeira. Bani segurava peças, levava ferramentas e dizia em voz alta o que já estava pronto. Uma vez pegou o martelo de Castor por hábito. “Obrigado, mas prefiro fazer esta parte. Pode trazer a tábua curta?” Bani trouxe a tábua curta. Depois Toupeira pediu que segurasse a luz, e Bani segurou a luz em vez de começar a cavar. O trabalho passou a andar mais rápido quando ninguém roubava a tarefa do outro em nome da ajuda.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 5

Por fim as pás giraram. Todos comemoraram, mas o balde subiu torto, bateu na borda e despejou toda a água em cima de Bani. A colina ficou em silêncio. Uma gota pendia da ponta da orelha. “Bem, pelo menos regamos um cachorro”, disse ele. A equipe caiu na risada. Depois ninguém foi procurar culpado. Pega percebeu que a corda passava pela ranhura errada, Toupeira confirmou o puxão lateral e Castor achou o caminho correto no desenho. A primeira tentativa não tinha sido inútil; só entregara a pista de um jeito muito molhado.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 6

Na segunda tentativa, Bani ficou ao lado do canal. Lontra levantou uma pata. “Prontos?” Pega conferiu o nó, Toupeira o suporte, Castor a pá reparada. Bani disse: “Corda livre. Balde reto. Canal aberto”. O vento pegou as pás. O balde subiu suavemente, virou no conduto e um fio de água correu colina abaixo. Dividiu-se em três braços e chegou aos canteiros. Uma a uma, as folhas caídas se levantaram como se um jardineiro invisível passasse entre as plantas e as endireitasse.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 7

Lontra pediu que cada um dissesse algo que havia feito e algo que só funcionou graças a outra pessoa. “Soltei a corda, mas sem o suporte ela travaria de novo”, disse Pega. Toupeira concordou. Castor bateu de leve na tábua reparada. “E eu precisava de alguém trazendo peças e lembrando quais etapas estavam prontas.” Bani olhou para as patas ainda molhadas. Gostou de não haver uma linha clara mostrando onde acabava o trabalho de um e começava o do outro. A água corria porque as partes tinham se conectado.

Bani e a Equipe do Moinho de Vento — Ilustração 8

Antes de irem embora, Lontra deu a Bani uma pequena engrenagem de cinco dentes. “Por que cinco? Éramos mais.” “Não conte pessoas. Conte hábitos: ouvir, falar por turnos, dividir o trabalho, conferir juntos e agradecer.” Bani girou a engrenagem. Um dente sozinho não fazia nada, mas juntos eles engatavam na roda seguinte e transmitiam movimento. Naquela tarde o vento voltou, o moinho acenou com as pás e a água correu alegre pelo jardim. Bani decidiu que era o modo do moinho agradecer à equipe inteira em sua própria língua de água.