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História 02

A viagem de Bani pela Belarus

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Certa manhã, Bani abriu um grande mapa no chão. Bem no meio estava a Belarus: verde, cheia de lagos azuis e caminhos parecidos com fitas. “É para lá que eu vou!”, decidiu, fazendo um gesto tão importante que uma orelha se mexeu antes da outra.

Ele fez uma lista: conhecer uma floresta antiga, achar um lago azul, visitar um castelo e provar draniki. No fim escreveu três vezes: “Não perder nada”. Na mochila colocou binóculos, capa de chuva, dois biscoitos e uma meia listrada. Bani não sabia por que um cachorro precisava de uma única meia, mas um viajante devia estar preparado.

A estrada passou por campos largos, bosques de bétulas e centáureas azuis. Bani abriu a lista — e o vento a levou. “Ei! Minha viagem inteira está aí!”, latiu, correndo atrás. A folha subiu, deu uma volta e pousou no bico de uma cegonha branca.

A cegonha colocou a folha na grama. “Talvez uma viagem não more numa lista?”, perguntou. Depois ensinou a palavra bielorrussa «дзякуй»: obrigado. Bani repetiu devagar. A cegonha fez uma reverência, e ele percebeu que a nova palavra já era sua primeira descoberta, mesmo sem estar na lista.

Depois das bétulas começava uma floresta antiga. Ali Bani conheceu Zorik, um filhote de bisão que perdera o sininho dado pela avó. Bani olhou para onde estaria um relógio, embora não tivesse relógio nenhum. O castelo podia esperar. Eles começaram a procurar juntos.

Bani olhou sob as raízes e Zorik atrás das samambaias. Nada. Então ficaram quietos e escutaram. As folhas sussurraram, um pica-pau bateu e, do musgo, veio um pequeno “dim”. Para ouvir algo pequeno, às vezes é preciso parar de correr. Zorik sorriu, e Bani disse: “Дзякуй, floresta”.

Perto do lago azul encontraram um castor. Um fio de água atravessava sua pequena represa e levava os gravetos. Bani ia seguir viagem, mas notou como o castor estava cansado. Pegou um galho comprido e o carregou de lado. O galho virava Bani para lá e para cá, como uma hélice peluda.

Juntos consertaram a represa. O lago ficou liso como um espelho. A lista perdida boiava na água. A tinta havia sumido, deixando só manchas azuis. Bani olhou para a folha, depois para os amigos, e riu. Talvez o vento soubesse de alguma coisa.

A trilha seguiu por campos de linho azul e centáureas. De repente, uma batata redonda caiu de uma cesta e rolou morro abaixo. Bani correu atrás. A batata não tinha pernas, mas era mais rápida. Ela levou todos direto a um velho castelo de tijolos vermelhos.

Os portões altos não abriram nem com um empurrão, nem com o olhar mais sério de Bani. Então uma voz gentil disse: “Entra quem contar o que fez hoje por alguém além de si mesmo”. Bani piscou. Castelos costumavam pedir chaves; aquele queria uma história.

Zorik contou como Bani achou o sininho. O castor falou da represa. A cegonha lembrou a palavra «дзякуй». Uma luz quente tomou a entrada e os portões se abriram. Bani entendeu: boas ações são como chaves. Pequenas, mas capazes de abrir portas enormes.

No pátio havia uma mesa com frutas vermelhas, creme azedo e uma torre de draniki dourados. A torre era mais alta que as orelhas de Bani. “Eu dou conta”, garantiu. Depois do terceiro já não tinha tanta certeza e dividiu os outros. Curiosamente, quando ninguém contava quem ganhou mais, havia o bastante para todos.

Ao pôr do sol, a cegonha devolveu o mapa. Agora ele brilhava com pequenos desenhos: um sino, um galho no lago, uma batata engraçada, portões abertos e amigos à mesa. Uma trilha dourada unia tudo. Já não era um mapa de lugares, mas de encontros.

Bani não marcou todos os itens nem viu tudo que existia. Mas aprendeu o som de um sininho, como uma represa fica firme e como aquece um simples «дзякуй». Às vezes, o mais importante não acontece num ponto do mapa, mas no caminho até ele.

Em casa, Bani deixou a pena branca junto ao mapa e subiu na almofada. “Do que você mais gostou?”, perguntaram. Ele pensou: “Do lugar onde parei de ter pressa”. Depois sussurrou: “Дзякуй, Belarus”. No sonho, a meia enfim serviu para alguma coisa: a batata viajava dentro dela, devagar e muito educada.